ALESSANDRA HABER: O PESO DE CARREGAR SOZINHA A REPUTAÇÃO POLÍTICA DO MARIDO.


Depois da repercussão do vídeo que viralizou nas redes sociais, onde o candidato a governo do Pará pelo PODEMOS, Dr. Daniel Santos aparece em cenas de sexo explícito traindo a esposa, os holofotes se voltaram para a deputada Federal Alessandra Haber, esposa do candidato. Tudo porque a postura de Alessandra foi considerada passiva demais.

Seria tudo por causa da campanha do marido para o governo do estado e da própria campanha para deputada Federal ?

A traição em um relacionamento já é, por si só, uma experiência capaz de provocar dor, quebra de confiança e profundas consequências emocionais. Mas quando o casal está no centro da vida pública, o episódio ganha uma dimensão ainda maior.

A reação de Alessandra teria sido orientada no sentido de perdoar e preservar a imagem pública do marido.

Mas surge uma pergunta incômoda: até onde uma mulher precisa passar por cima da sua própria dignidade para proteger a reputação de um homem que foi responsável por quebrar a confiança dentro do próprio casamento?

Alessandra foi colocada diante de uma escolha cruel: preservar a imagem política do marido ou defender a própria honra. E muitas vezes espera-se dela silêncio, compreensão e até uma postura pública de apoio, como se proteger a carreira política do companheiro fosse também uma obrigação dela.

Não deveria ser.

A reputação de um político é construída, antes de tudo, pelas próprias atitudes. Uma esposa não deveria carregar o peso de justificar, esconder ou minimizar comportamentos imorais praticados pelo marido para proteger uma candidatura.

Ela é mulher. É mãe. É profissional. É uma mulher independente, que escreveu sua própria história, mas, quando a política entra dentro de casa, muitas vezes parece que tudo isso deixa de importar.

Depois de ser traída, ela ainda precisou enfrentar o julgamento da sociedade, se esconder em cultos religiosos, além de sofrer a pressão daqueles que acreditam que, para preservar uma imagem política, a mulher precisa perdoar, sorrir e permanecer em silêncio.

Por que a reputação de um homem precisa ser preservada às custas da dignidade de uma mulher?

Nenhum cargo público, nenhum partido e nenhum projeto de poder vale mais do que o respeito dentro de uma família.

A sociedade não pode exigir que uma mulher independente se humilhe para manter de pé a imagem de um homem.

E a igreja, que deveria acolher e orientar, jamais deveria transformar o sofrimento de uma mulher em obrigação de permanecer calada.


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