Agradar a gregos e troianos não tem sido uma tarefa fácil em tempos de polarização política. O jogo de cintura e estratégias para obter simpatia e aceitação entre diferentes grupos e classes de pessoas se torna cada dia mais complicado.
Em evento ao lado da
ex-petista e atual candidata ao Senado pelo Solidariedade, Lívia Noronha, o
candidato do Podemos ao governo do Pará, Daniel Santos, parece que esqueceu
que, dia desses, dividiu palanque com Flávio Bolsonaro e voltou a moderar o
discurso da turma da direita numa clara tentativa de “jogar nas duas pontas” do
jogo político no Pará.
Em um vídeo que circulou nas
redes sociais essa semana, Daniel Santos se posiciona contra o movimento
bolsonarista que tenta aprovar o impeachment do ministro do STF, Alexandre de
Moraes. “A gente anda, em alguns locais do Estado, e o discurso ideológico é
‘tem que tirar o ministro do STF, tem que tirar não sei qual senador’. O que é
que isso, efetivamente, melhorou a vida da pessoa? O que isso melhorou a escola
do filho dela? A estrada que ela usa?”, questionou
A fala teve reação imediata de
alguns políticos da direita, que cobram de Dr. Daniel um posicionamento mais
alinhado com o discurso ideológico da direita e tenta dar fôlego à candidatura
de Flávio à presidência. Dias antes, num vídeo em que gravou ao lado de Lívia e
do ex-deputado federal Jordy, Daniel já mostrava certo embaraço quando ambos
não só convidaram os simpatizantes para um evento quanto pediram abertamente
votos para a reeleição do presidente Lula.
O eufemismo usado pelo
pré-candidato Daniel Santos com o intuito de minimizar qualquer possível
estrago em sua caminhada é o de que ele pretende criar uma “frente ampla” em
favor do Pará. Nessa teoria, qualquer um que queira apoiar sua candidatura é
bem vindo, o que coloca muitas alianças em risco. “A gente tem que sair um
pouco desse discurso ideológico e fazer uma alinhamento por pauta”, afirmou
Daniel.
Bob Araújo.

